Hoje, 31 de março de 2025, completa-se 61 anos do golpe militar que deu início a uma das fases mais sombrias da história do Brasil. Em 1964, os militares tomaram o poder à força, encerrando o governo democraticamente eleito de João Goulart. O regime autoritário durou 21 anos, marcados por censura, perseguições políticas, torturas e assassinatos.
Sob a justificativa de combater o comunismo e garantir a ordem, os militares fecharam o Congresso Nacional, cassaram mandatos de opositores e impuseram o Ato Institucional nº 5, em 1968, que intensificou a repressão.
Qualquer pessoa que discordasse do regime – jornalistas, artistas, estudantes, sindicalistas – poderia ser presa ou exilada. Muitos foram torturados em centros clandestinos e mortos pelo Estado, como demonstram as investigações da Comissão Nacional da Verdade.
Além da violência política, a ditadura deixou marcas profundas na sociedade brasileira. A concentração de renda aumentou, e a liberdade de expressão foi sufocada. A censura impediu a imprensa de divulgar abusos cometidos pelo regime, e obras culturais foram vetadas ou modificadas à força. Apesar do chamado “milagre econômico”, a desigualdade social cresceu, e a dívida externa disparou, gerando crises que se arrastaram por décadas.
A transição para a democracia, iniciada nos anos 1980, culminou na Constituição de 1988. No entanto, ainda hoje há tentativas de minimizar os crimes da ditadura e até de exaltá-la como um período positivo.
Lembrar os horrores desse regime não é questão de ideologia, mas de compromisso com a verdade e a democracia.
"O Brasil precisa continuar aprendendo com sua história para que nunca mais se repitam os erros do passado. O esquecimento abre espaço para que autoritarismos reapareçam, com Bolsonaros e afins. Por isso, é preciso lembrar do golpe e gritar 'Ditadura nunca mais'", afirmou o presidente da Admap, Josias de Oliveira Melo.